01/07/2011

Algures um Anjo

Seguro-te na ponta dos dedos,
nas palmas das mãos, no centro do peito,
no travo aziago dos dias ledos.

Tão breve e longínquo o teu toque,
tão leve o que te teço quando adormeço...

Nublam-se-me os olhos e os anos idos
quedam-se os beijos quentes, de fôlegos dementes,
segredos e promessas outrora tidos.

Tão breve e longínquo o teu toque
tão leve o que te teço quando adormeço...

Sinto-te e repiro-te a quilómetros mil,
para além das águas e das pedras,
dos brilhos e das trevas,
sobre o que é belo e o que é vil.

E nunca me deixa o teu olhar esquivo,
ou a súplica da pele onde me deitei
os cabelos e as mãos, um sorriso
a sombra de ti com que fiquei.

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