30/04/2009

Enquanto o mundo repousa e as flores respiram
ao despertar dos pássaros, no horizonte adamascado,
a alma sofre com saudade.
O sangue e as lágrimas transpiram
deste coração castigado.

Nem os dias que vierem
ou os minutos de horas a eito
passarão sem a memória ida
de que já fui Primavera,
farta e colorida,
a explodir do teu peito.


Sete fases do paraíso
– quando os dedos se enlaçaram–
– assomam-se em fantasmas de zombo riso –
canta o rouxinol, desalentado –
calcadas a pés no encerro do pecado.

É fria a aurora dos dias de água
e o sol esvaeceu-se para mais nunca
nos iluminar; decretou da nossa existência atroz praga.
Desde então a mágoa cava o deserto que me junca,
te m' aparta como um véu e a ti me prega, como uma chaga.

§

1 comentário:

Ricardo Martins disse...

Não te sei dizer quantas vezes já li o poema, mas sei que a cada nova leitura o achei mais intenso, mais completo e, sobretudo, mais sentido.

A tua escrita (poética) parece estar numa nova fase (ainda que a mudança possa não ser totalmente consciente). A poesia está mais curta, mais assertiva e também mais rica em pequenos pormenores. O imaginário que pintas com as palavras alargou imenso, e essa é uma das transformações que notei (e admirei) logo na primeira leitura.

Enfim, deixo-te os meus mais sinceros parabéns pela nova abordagem à escrita.

beijo*