25/03/2008

Larguetto

Esquece a alma crispada
a coisa inacabada
vem beber a vida fresca!

Deixa essa caixa secreta de desamor e dúvida
vem andar sobre as nuvens fofas
que serás levado a braços de passos subtis
- prometo -
que nem tanto nem sangue pode custar descobrir a vida.

Nuvens de patamares e entremeios diversos
coloridas a cada segundo pela luz que faça
dando a sombras, olhares e cores
variação infinita, coisas de todas as coisas.

A descoberta última será revelada quando for por cada um escutada

Para tal tenho os meus dois troncos consistentes
bem firmes na terra
as suas raízes, a história e a mercê.

Para tal conservo a alma aberta
a observar o mundo
as regras, os porquês e as mercês.


Vem beber a vida fresca,
e não chores a alma crispada
a coisa inacabada.

9 comentários:

vash disse...

O tão esperado novo poema chegou finalmente. É bom 'ler-te' revitalizada, de certa forma.

Parece-me a mim que existe mais luz nestas palavras que em outras anteriores, existe aqui um certo sentimento de esperança. É pelo menos aquilo a que o poema me remete.

Deixar para trás os dissabores e enfrentar o futuro com uma nova esperança remendada, com melhores expectativas. Gosto das imagens que construíste nestas linhas.

É bom voltar a ler novos poemas teus

beijo*

herético disse...

belo poema. escreves muito bem. é excelente a tua poesia...

Daniel Paiva disse...

boas stella,

antes de mais desculpa pela demora em surgirem comentários da minha parte.

gostei bastante deste poema, da colocação das palavras, do sentido estético geral e do tom humano que a sua cadencia lhe dá.


penso mesmo que seja aquele de que gosto mais.

e como o vash constatou, é óptimo ver-te a sair dos lugares escuros e a entrar na luz.

parabéns (e obrigado, cm leitor) pelo resultado que conseguiste.

cumprimentos

rosasiventos disse...

ai o que diria jim san ao meu grito se

um dia





bebesse




do vento suave

o vento

agreste





/belíssimo!

~pi disse...

... talvez crisálida!?

Maria Laura disse...

Um poema/exortação de esperança na vida fresca, na abertura ao mundo. Muito bom.

un dress disse...

belo!!

das raízes e das antenas...







beijO

Stella Nijinsky disse...

Olá!

Estou contente que tenham passado aqui.

Provavelmente efeito da Primavera que enche tudo de flores,

mas continuo a mesma, a mesmíssima.

Costumo escrever com travos amargos aqui no blogue, pareço uma pessimista, bem sei, mas sou mistura de muitas coisas e já agora aproveito pra dizer que sou uma pessoa alegre e brincalhona, para que ninguém fique preocupado comigo.

As coisas que me acontedcem ou que acontecem aos outros e eu observo ou que eu penso e imagino tomam forma nestas palavras, que escrevo e articulo neste blogue, que são produto de muitas coisas e não somente produto de mim.

Este post foi uma lufada de ar fresco mas devo confessar que tive que lhe tirar fora uns versos, demasiado optimistas. Ao reler o que escrevi senti que não estava a dizer a verdade e se há coisa que não suporto é a incongruência.

Este poema ficou de facto bastante ligeiro. Escrevi-o ao som do Concerto para Piano nº 1 de Chopin, Larguetto - Romance.
Devia ter posto aqui a música, mas ainda não me dei ao trabalho de começar a fazê-lo, pelo menos quando sinto que é necessário, e neste caso era.


Fico mesmo muito contente que gostem daquilo que escrevo.

Gostava de escrever mais e de ler mais, mas ando mais do que ocupada e algo fora da net.

Bom Domingo!

BANDEIRAS disse...

Vens beber a vida fresca...

Estive lendo teu comment abaixo, ótimo.

Uma ótima semana, precisamos todos.
bjs.