23/12/2007

Despeço-me Porque Sei Lá Estar

Despeço-me da bruma do gelo da neve


despeço-me da pressa do dia caído


digo adeus, foram uvas que ficaram no chão.





Daqui provei a fruta madura,


Ouvi o inóspito vento do norte,


provei a fruta proíbida.





Na bruma do gelo da neve


há a escuridão do vazio


luz branca que cega e impede.





Despeço-me porque sei lá estar,

Já não conheço segredos ali


Despeço-me porque sei de lá sair.

2 comentários:

vash disse...

É condição humana partir quando se sabe estar, procurar o novo quando o novo se torna velho e o velho conhecido. É condição humana nunca parar de saber estar.

Boas Festas e um óptimo 2008!

*

Paulo Miguel Torrezão disse...

A meu ver, a questão reside no estar 'onde'. Como um grito de revolta (talvez provocado pela 'condição humana'), parece-me dizer: - Conheço-me, sei quem sou. Agora quero algo mais! -

Daqui infiro: A vida consiste numa renovada superação de nós próprios; crescemos quando sabemos estar em nós e, consequentemente, sair de nós. A felicidade encontra-se quando somos capazes de sair do que fomos para o que seremos com o que nos rodeia...

Isto, claro, não passa de uma singela opinião, mas parece-me que este poema, de certa forma, combate as teorias solipsistas, pela importância dada ao 'sair de si'.

Gostei, Stella.

Paulo Miguel Torrezão